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Sociologia Como Ciência

Vamos retomar o que é Sociologia e o contexto de surgimento dessa ciência, resgatando a contribuição de Auguste Comte e Émile Durkheim, Karl Marx e Mas Weber

Como você define o que é Sociologia?  

Para responder à esta pergunta, vamos retomar algumas noções fundamentais. 

A sociologia é uma ciência que estuda as relações entre as pessoas que pertencem a uma comunidade ou os diferentes grupos que compõem uma sociedade.

É uma ciência que pertence às ciências sociais (junto da antropologie da ciência política) e às humanidades. Os objetos de pesquisa da sociologia incluem a análise dos fenômenos de interação entre os indivíduos, as formas internas de estrutura (classe social, mobilidade social, valores, instituições, normas, leis), conflitos e formas de cooperação que surgem através das relações sociais.

Definição Básica

Sociologia: 

Ciência que busca entender “as transformações causadas pela mudança das formas de trabalho na sociedade ocidental, decorrente do capitalismo (…)”. 

Reflexões Sociológicas 

Como ocorre a relação entre os indivíduos e a sociedade? 

Nós construímos a sociedade? 

A sociedade nos constrói? 

Nós podemos modificar a sociedade na qual estamos? 

Ou é a sociedade – com suas leis e regras – que cria nosso comportamento, nossos gostos, nosso pensamento?

Imaginação Sociológica

Conceito desenvolvido pelo sociólogo norte-americano Charles Wright-Mills (1916-1962);

Escreveu o livro “A Imaginação Sociológica” em 1959;

Para Wright-Mills, a vida do indivíduo e a história da sociedade não podem ser compreendidas separadamente. 

Para refletir: Segundo o conceito de imaginação sociológica, “o indivíduo só pode compreender sua própria experiência e avaliar seu próprio destino localizando-se dentro de seu período”. Reflita sobre essa frase, pensando nas seguintes perguntas: Quem sou eu? Quais são as minhas vivências e experiências? Como é a sociedade em que eu vivo? O que diferencia a sociedade hoje das sociedades do passado? 

Após isso, reúna-se com um colega, e ambos compartilharão suas “imaginações sociológicas”. Há algo em comum com as experiências sociais compartilhadas?

Contexto de surgimento da sociologia

Revoluções Científicas (Renascimento e Iluminismo);

Revoluções da Modernidade (Revolução Francesa e Revolução Industrial); 

Emergência de novos problemas sociais 

REVOLUÇÕES DA MODERNIDADE

Revolução Francesa (1789) 

  • Lema: “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”. 
  • Ideias Iluministas, com foco na racionalidade e na ciência;
  • Questionamento da “Sociedade Antiga”, marcada pelo direito divino dos reis.

A Revolução Industrial 

  • (séculos XVIII e XIX) transformou o modo de produzir;
  • Características:
  • Inovações tecnológicas;
  • Acumulação de capital pela burguesia;
  • Domínio inglês sobre o comércio mundial;
  • Urbanização.

EXPLORAÇÃO DO TRABALHO 

A Revolução Industrial trouxe à tona o debate sobre a exploração do trabalho, e isso foi investigado pela Sociologia;

Exemplo: os fiandeiros de uma fábrica próxima de Manchester trabalhavam 14 horas por dia numa temperatura de 26 a 29°, sem permissão para beber água. Estavam sujeitos às penalidades e multas. 

No decorrer do século XIX, a Sociologia refletiu sobre esses dilemas.

Para refletir: A Revolução Industrial causou grandes impactos no mundo do trabalho, e a Sociologia procurou interpretar essas mudanças. Qual é a sua percepção sobre o mundo do trabalho atual? 

A sociologia de Comte

A palavra Sociologia foi criada pelo pensador francês Auguste Comte (1798-1857);

Como positivista, ele acreditava que a ciência deveria organizar a ordem social;

Para Comte, o progresso estava associado à  sociedade industrial europeia. 

A sociologia como ciência em Émile Durkheim

Émile Durkheim elaborou um método e objeto de estudo para a Sociologia. 

Método funcionalista para a análise da realidade social;

Teve influência do positivismo, por exemplo, a ideia de que a sociedade deve estar em harmonia. 

DEFINIÇÃO BÁSICA 

O fato social deve ser analisado como uma “coisa”, que se encontra na realidade e se impõe à observação;

Possui 3 características: 

  • Coercitividade;
  • Exterioridade;
  • Generalidade.

PRIMEIRA CARACTERÍSTICA: COERCITIVIDADE

Sentimos isso pela influência da sociedade em nós;  

Ela é chamada de COERÇÃO SOCIAL: ao mesmo tempo é sentida pelo indivíduo como uma obrigação e necessidade,  porque o permite fazer parte do grupo;

Exemplo: Você se sente coagido a seguir uma profissão ou um estilo de vida?

SEGUNDA CARACTERÍSTICA: EXTERIORIDADE

Os fatos sociais são EXTERIORES aos indivíduos. 

Para Durkheim, as regras são essenciais, pois estabelecem como os indivíduos devem se comportar, independentemente da vontade individual. 

Exemplo: Dinheiro no Brasil. Você deve pagar mercadorias com o real, independente de sua vontade, você deve se adequar a essa norma. 

TERCEIRA CARACTERÍSTICA: COLETIVIDADE

A terceira característica é a generalidade, ou coletividade.  

Exemplo: Pense no uniforme escolar: ele se impõe a todos. 

Podemos classificar como fatos sociais as leis, a economia, os costumes religiosos, as maneiras de agir, o sistema político, entre muitos outros fenômenos. Escolha 1 fato social e explique quais são as suas características.

A sociologia de Karl Marx

A explicação da realidade social é perpassada pelas relações de produção e as classes sociais;

A análise do capitalismo é central na sua obra.

RELAÇÕES DE PRODUÇÃO

Definição: forma pela qual os seres humanos ou agrupamentos se relacionam entre si em todo o processo de produção material existente na sociedade.

RELAÇÕES DE PRODUÇÃO CAPITALISTAS

Em seu livro O Capital, Marx expõe a lógica do processo de valorização do capital, isto é, como o capital se reproduz com base na exploração do trabalho. 

Mostra como o capital, ao se reproduzir como a relação social hegemônica, amplia sua dominação com base no aumento dos lucros capitalistas.  (Sociologia Hoje , 2016).  

CAPITALISMO INDUSTRIAL

Segundo Marx, a formação da classe trabalhadora advém da expropriação de seus meios de produção, isto é, da apropriação, por outros, de suas terras, de suas ferramentas, de suas casas e seus locais de trabalho;

Sistema capitalista: lógica do conflito e do acesso desigual aos meios de produção. 

O trabalhador é forçado a vender sua força de trabalho para a burguesia e a submeter-se a determinações da classe dominante, incluindo o valor do salário, o ritmo, condições de trabalho e produtividade.

Na concepção de Marx o objetivo do trabalho no sistema capitalista é gerar lucro para a burguesia.

A sociologia de Max Weber

Nascido na Alemanha, Max Weber (1864-1920) foi um dos mais importantes cientistas sociais de todos os tempos;

Seus trabalhos tiveram grande influência sobre o estudo da sociedade moderna.  

INDIVÍDUO E SUAS MOTIVAÇÕES 

Para Weber, a realidade da sociedade pode ter infinitos significados, de acordo com os valores de determinada época.

Desta maneira, seu método de pesquisa propõe estudar o indivíduo que vive na sociedade e verificar as “intenções”, “motivações”, “valores” e “expectativas” que orientam as ações do indivíduo na sociedade.  

INDIVÍDUO E SOCIEDADE

Para Weber, só seria possível compreender a sociedade nas manifestações da ação individual. 

A sociedade não teria um sentido próprio, mas é reproduzida pelos indivíduos, que lhe conferem sentido a partir da estrutura da sociedade que vivem (no capitalismo, por exemplo). 

Para Weber, a sociologia deve entender a sociedade através da compreensão do sentido das ações dos indivíduos.

Por isso, a realidade não é objetiva: ela pode ter infinitos significados, afinal está carregada de subjetividade (como as opiniões particulares) e pelos valores culturais (costumes e tradições de cada sociedade em cada período).

compilado de fotografias de Comte, Durkheim, Marx, Weber
Clássicos da sociologia

Texto de apoio às aulas de sociologia disponibilizado pelo Aula Paraná

REFERÊNCIAS  

ARAÚJO, S; BRIDI, M; MOTIM, B. Sociologia: Volume único: ensino médio. 2. ed. São Paulo: Scipione, 2016.

HUBERMAN, Léo. História da Riqueza do Homem. Rio de Janeiro: Zahar, 1976.

SILVA, Afranio (et.all). Sociologia em movimento. 2. ed. São Paulo: Moderna, 2016.

TOMAZI, Nelson Dacio. Sociologia para o ensino médio. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2010.

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