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Por Jeniffer Modenuti


O Darwinismo Social é uma teoria social que surgiu no final do século XIX e começo do XX. Essa teoria tentava explicar a evolução das sociedade humanas tomando como base a teoria da evolução das espécies, proposta por Charles Darwin.

Partindo de uma perspectiva preconceituosa e etnocêntrica, o darwinismo social acreditava que existiam sociedades superiores a outras. As sociedades mais desenvolvidas deveriam “dominar” as inferiores para assim levar a elas o progresso, o desenvolvimento e a civilização.
O desenvolvimento tecnológico e científico alcançado por países europeus ao longo da modernidade, servia como argumento para os pensadores pró-darwinismo social justificarem a superioridade das “civilizações industrializadas”. 
Essa ideia de classificar grupos sociais em menos e mais desenvolvidos também tinha interesses internos aos países. A seleção natural, quando aplicada à sociedade, permitiria  explicar a pobreza e a desigualdade social que se intensificou com o período pós-Revolução Industrial. 
Outra expressão disso podemos ver com o darwinista social norte americano William Graham Sumner, que afirmava: “os milionários são produto da seleção natural”.  

Dessa forma, o pobre seria o único culpado pela sua pobreza. Aqueles que ficavam, ou continuavam, pobres seriam os menos aptos na linha evolutiva, portanto, eliminados na competição. 

Implicações da teoria social darwinista

Embora o seu nome esteja envolvido no título dessa teoria, Charles Darwin nunca teve qualquer relação com esta corrente de pensamento. 

A aplicação da biologia de Darwin às teorias sociais fortalecia o imperialismo, o racismo, o nacionalismo e o militarismo. 

Também no Brasil, durante o século XIX e início do século XX, a ideia de branqueamento do povo brasileiro mostra o pensamento  de superioridade dos brancos. 

Pensadores Brasileiros tinham a ideia que se trouxesse mais brancos para o Brasil, o país seria portanto mais desenvolvido. Tal pensamento, justificado em estudos e cálculos estatísticos, influenciou as imigrações de europeus ao nosso país. 

O Brasil, por ser um país com um grande contingente de negros seria, comparada à Europa, tão desenvolvida, uma nação atrasada. O racismo era forte, e a ciência da época se esforçava para legitimá-lo. 

Hoje, sabemos que essa política de braqueamento foi um equívoco, mas à época, a imigração europeia seria uma eficaz forma de trazer desenvolvimento ao nosso país.  


 Angelo Tommasi, Os Imigrantes, 1896 

Ou seja, percebe-se que a teoria de Darwin acabou por ser convertida em um pensamento que reforçava os ideais da classe burguesa da época, vindo a justificar, ao final das contas, a lei do mais forte e a superioridade da elite. 


Podemos encontrar reflexos do Darwinismo Social na Eugenia Nazista do século XX, onde testes mortais eram realizados com judeus e outros indivíduos para “provar” a superioridade da “raça” alemã, os “Arianos”:

Médicos eram motivados pela ideologia nazista e por interesses pessoais, acreditando que o assassinato em massa dos judeus tinha uma função terapêutica: a de curar a Alemanha de um grande mal (os judeus), de forma a garantir a revitalização da raça ariana e da cultura alemã. Por meio dessa visão de mundo a Alemanha deveria ser tratada como um corpo doente, cuja cura implicava no extermínio das bactérias que estavam infectando seu organismo como um todo. Em 1935 um boletim médico, amplamente divulgado pela imprensa nazista, comparava os judeus ao bacilo de Koch. Eles também eram apresentados como se fossem uma gangrena que, enraizada no corpo da nação, deveria ser extirpada.”

Num total equívoco, ou oportunismo, a teoria da seleção natural é adotada para tratar das sociedades, onde os mais “fortes” prevalecem e devem sujeitar os mais “fracos” para garantir a “seleção natural” dos seres humanos. 

Prisioneiros judeus durante a 2ª Guerra Mundial submetidos a experimentos nazistas com a tentativa de legitimar a superioridade da raça ariana

Precisamos conhecer esse tipo de pensamento para nos conscientizarmos de suas proporções e consequências. Hoje, sabemos que o Darwinismo Social é uma falácia, uma teoria sem embasamento, que caiu por terra. Mas, infelizmente, o preconceito, o etnocentrismo e o racismo ainda estão presentes em nossa realidade, como um mal que insiste em perdurar. Não podemos permitir que práticas como as dessas fotografas acima voltem a acontecer.



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